mar afro-brasileiro | texto da artista

Oferenda para Yemanjá sob orientação de Maria Conga | fotografia Ricardo Basbaum

Tenho trilhado esse caminho. Vou ao mar. Levo oferenda. Passam dias. Vou ao mar. Levo oferenda. De manhã cedo, vou ao mar. Levo oferenda. Na areia úmida, vou ao mar. Levo oferenda. Eu vou lá, areia, sal e mar, levo oferenda. É o que sempre desenho. Ninguém vê. Mas eu posso fazer qualquer traço, que todo gesto que há, o mar está lá. O vestido branco, a flor azul, é areia, é areia, é areia. Todos os meus caminhos são de areia e mar, terra e água. Todo vai e vem são ondas do mar. Todo peixe é de Yemanjá. Todo fundo do mar é de Nanã.

Nosso mar é da invasão. Nosso mar é afro-diaspórico. Nossas águas são de Yara, são de Yemanjá, de Nanã, de Oxum. Nosso mar tem identidade, não é só bela paisagem. Nosso mar tem tensão. Teve disputa. Tem espaço-tempo. Tem colonialidade e decolonialidade. Tem memória. Tem ancestralidade. Tem pensamento. Tem arte.

Atlântico hoje

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