Lagoa de Nanã (2023 – ) Performance SONORA e instalação | 23 min | 300 x 300 x 30cm
A artista constrói uma “lagoa” com objetos, elementos, Orikis, Itans e Pontos da deidade africana Nanã Buruquê. Lagoa de Nanã é uma obra sonora, a instalação é construída por via da performance. A obra inicia com o som de uma leve chuva caindo sobre uma lagoa. É quando a artista se move com alguidares de diversos tamanhos para construir os círculos que formarão a instalação. A água é o grande elemento que sustenta a ação, seguida pelo barro e pelas ametistas que são depositados dentro dos recipientes cerâmicos. Uma pequena porção de pigmento mineral é derramada pela artista em alguns alguidares, tingindo a lagoa de roxo-lilás; em seguida as porções de barro são masseradas pelas artista, tingindo outra parte da “lagoa” com a cor marrom. Ao centro da lagoa temos o cetro e ferramenta da Orixá – o ibiri – apoiado em um prato de cerâmica, o único que não tem água. Ao final, a artista segura o ibiri e apresenta um gesto de incorporação de Nanã para saldar a lagoa construída.
A performance foi apresentada três vezes no Rio de Janeiro-RJ, CCJF-Centro Cultural da Justiça Federal, Centro Cultural Diversa e Ateliê Cidade Baixa. Fotografias da performance Bruna Prado.











Série Fundo do Mar (2018 – )

GIRAS NA TERRA, GIRAS NO MAR, 2024-2025
curadoria e texto de Fernanda Pequeno
exposição individual realizada no MHC – MUSEU HISTÓRICO DA CIDADE do Rio de Janeiro, organizada em duas galerias e nomeadas núcleo terra e núcleo mar, séries em cerâmica e pintura que dialogam com as religiosidades afro-brasileiras, em especial, a Umbanda, cosmologias ancestrais, circularidade e decolonialidade.










KALUNGA KIA KOLELAKU, 2023
curadoria e texto de Luiza Interlenghi
exposição individual realizada no Abapirá para a proposição “Projeto Janelas”. O espaço de arte é localizado no centro histórico do Rio de Janeiro e foi apresentado um site specific com 8 obras que dialogavam com a casa e com a histórica Rua do Mercado. O título da exposição se refere ao terceiro capítulo da tese de doutorado da artista e significa “Mar Sagrado” ou “O Sagrado está se espalhando pelo Mar”.










Abertura da exposição Kalunga Kia Kolelaku em Maio de 2023
Terreirão, 2023
Performance Sonora
Idealização e performer Luanda | performer convidada Preta Evelin | esteiras de taboa, banquinhos de Pretos Velhos, alguidar com cera de velas branca preta e vermelha, prato de cerâmica, vaso de cerâmica, arrudas, figurino branco, terços brancos, bengala de galho de árvore e chapéu de palha | poesia da artista “Cada Gota de Cera é uma Lágrima do Passado”, música “Viva as Almas!” de autoria da artista | Citações às heranças africanas das Pretas e Pretos Velhos da Umbanda |O roteiro de som foi elaborado pela artista Luanda, com a poesia “Cada Gota de Cera é uma Lágrima do Passado” junto ao som do mar e trechos das músicas “Viva as Almas! “e outras músicas de herança africana em domínio público | duração da performance 21 minutos.
As performers caminham pela exposição e saem do espaço expositivo, encontrando a instalação, montada previamente pela artista Luanda, em frente ao casarão do espaço de arte Abapirá. Enquanto ocorre a ação ouvimos um áudio previamente gravado em estúdio, no qual a artista traz melodias cantadas a capela até iniciar a interpretação da poesia. Temos o som do mar que atravessa todo áudio até a chegada do samba “Viva as Almas!”. Na ação, as artistas apresentam uma Preta Velha e um Preto Velho , gotas de cera das velas são derramadas num alguidar, arrudas são ofertadas ao público junto a reflexão sobre a tragédia da escravização e a forte cultura africana que se espalhou por todo território brasileiro.
música “Viva as Almas!” de autoria de Luanda, som que finaliza as ações da performance “Terreirão”





créditos:
Terreirão | Performance | duração 20 minutos | 2023
idealizadora e artista performer : Luanda
artista performer convidada: Preta Evelin
Instalação: Luanda
Som | gravação, edição e mixagem: Haikal Estúdio
música Viva as Almas!: Luanda
Voz e Canto: Luanda
Violão : Ricardo Basbaum
LAGOA DE NANÃ, 2023
Performance
Ibiri (ferramenta sagrada de Nanã), alguidares, barro, ametistas, potes de cerâmica, pigmento roxo-lilás e água. A artista constrói uma lagoa e a mitologia da Orixá Nanã ao som de Orikis, Itans e Pontos de Nanã gravados e narrados pela artista. Duração 23 minutos. Fotografias Maria Baigur



SÉRIE ANIL E CAFÉ, 2022 – 2023
Pintura
lado A: pigmentos anil, café e água sobre desenho com lápis dermatográfico em lona de algodão; lado B: texto poético “Cada Gota de Cera é uma Lágrima do Passado” escrito/desenhado sobre a lona de algodão com manchas de café e anil
263 cm x 160 cm

SÉRIE ANCESTRALIDADE E ATLÂNTICO, 2022 –
Pintura-instalação
pintura e cerâmica | tinta acrílica, pigmento e água sobre lona de algodão



cachimba, 2022
texto de Monica Lima e Souza
Exposição individual, junho e julho/2022, Museu da História e da Cultura Afro-brasileira-MUHCAB, Rio de Janeiro

Maria Conga | Luiza Mahin, detalhe da pintura




Série Histórias de liberdade e guias , 2021-2022
A série é apresentada como instalações, composta por 7 obras, 5 pinturas-instalações sonoras e 2 esculturas
PINTURAS: pigmento, acrílica, folha de ouro sobre tela, dimensão de cada pintura 140 x 86 cm,
OBJETOS: alguidar com ítens (dendê, vela, pemba, figa de guiné e café), banco de Pretos Velhos, fones de ouvido, compensado naval coberto por tecidos e esteira de taboa, placa de inox com identificação do/a Preto/a Velho/a , uma personalidade histórica do século 19 e o território onde viveu;
SONS: Pontos de Pretos Velhos cantados pela artista acompanhados por violão com o músico Ronald Valle, 2021, Ponto de Pai Cipriano (4 min) Ponto de Maria Conga (3min9seg), Ponto de Vovó Ana (1min5seg), Ponto de Maria do Rosário (1min56segmin) e Ponto de Pai Benedito (1min29seg)
ESCULTURAS: “Cachimba”, 2022, escultura, cerâmica e madeira, 86 cm x 100 cm x 300 cm; projeto executado na olaria Gereco Cerâmicas; “Rosário”, 2020, escultura, corda, plástico e madeira, 8cm x 10 metros x dimensões variáveis; pintura das contas realizada pelo artista Vinícius Pastor.





As Pinturas
A proposta leva o espectador ao universo dos Pretos Velhos — mergulhando na cultura de Terreiro — porém, ao se aproximar das pinturas, descobrirá que está diante de personalidades importantes da nossa História, percebendo a dualidade da imagem, misturando histórias do mundo de Aruanda com o mundo da Terra. As pinturas colocam os Pretos Velhos sagrados como co-autores da história da cultura afro-brasileira ao relacioná-los a personagens históricos que temos como resistência político-cultural hoje. Essas duas figurações juntas são um duplo, no qual estão sendo feitas retratos pintados em que Pretos Velhos e as personalidades se encontram na mesma pintura. Esse efeito foi pensando rejuvenescendo os Pretos Velhos para aproximar de uma vida encarnada como personalidade histórica e ao mesmo tempo trazendo símbolos sagrados que os retornam como Pretos Velhos.



As Instalações Sonoras
“Decidi propor nas cinco pinturas-instalações da exposição Cachimba, um duplo retratado, ou seja, a apresentação de um personagem histórico e de um Preto Velho no mesmo rosto e com cores específicas, sendo circundado por suas cosmologias históricas e sagradas na pintura e nos objetos que compõe a instalação, alguidar com oferenda, banquinhos de Pretos Velhos de Terreiro e cânticos oriundos dos Pontos sagrados das Giras arranjados na combinação de minha voz e um violão. É a minha experiência de incorporação que está sendo passada ao visitante através da música cantada e escolhida para cada obra. Por isso tudo, posso sentar no banquinho branco, colocar os fones de ouvido e olhar para a pintura e o objeto, dando início a uma possível conversa, a leitura de uma história que está inscrita na pintura. Vejo que ao redor do retratado tem um universo, que se localiza acima do topo de minha cabeça, acima de meu sagrado orí , onde temos acesso a incorporação. Aos meus pés, contemplo uma oferenda localizada no chão bem próxima do corpo da pintura. A entidade está corporificada. Porque uma estrutura retangular dá corporeidade aquele rosto pintado que vemos, é composta de elementos significantes e por dimensões que verticalizam a peça. A pintura é expandida ao painel retangular de madeira naval coberto por cores preto e branco de tecido e/ou esteira cor de palha. A pintura se completa no painel com cores que dialogam com as tintas. Mas não há só um jogo de cores há também importantes signos referenciais de Cultura de Terreiro.” (trecho do artigo “Roteiro de visita para encontrar ancestrais sagrados que cruzaram o Atlântico” escrito por Luanda)






As Esculturas
“…ressignificar histórias da nossa colonização com tantos elos perdidos em tantos aspectos ancestrais, culturais, sociais, políticos e econômicos. Apartar os Pretos Velhos da Arte, da História e da sociedade em geral, deixando-os apenas nos Terreiros, não é boa solução, o momento é de união de todas as partes da História e da Cultura afro-brasileira.” (trecho do artigo “Roteiro de visita para encontrar ancestrais sagrados que cruzaram o Atlântico” escrito por Luanda)

Rosário, 2020, escultura, plástico com tinta metálica, corda e madeira, 8cm x 100cm.
Fundo do Mar n.5, pintura, pigmento mineral sobre lona de algodão, 137 x 270 x 5cm
fotografia Thales Leite




GIRA Pena Kapiá, 2021
Foto performance | políptico
impressão em papel fotográfico; a artista faz performances para a câmera com objetos, esteira, pena, cabelo e semente guarani kapiá (ou lágrima de nossa senhora). 52 x 92cm (cada uma)

Foto performance, ação com kapiá, pena, cabelo e esteira de taboa
Dimensão 52 x 92,45 cm

Foto performance, ação com kapiá, pena, cabelo e esteira de taboa
Dimensão 52 x 92,45 cm

Foto performance, ação com kapiá, pena, cabelo e esteira de taboa
Dimensão 52 x 92,45 cm

Foto performance, ação com kapiá, pena, cabelo e esteira de taboa
Dimensão 52 x 92,45 cm
Decolonizando com Ervas, 2020
Instalação e performance
dimensão instalação 300 x 250 cm, duração da performance 43 minutos
Exposição Perforcâmbio InCorporAção, live performance YouTube EPA
Ateliê Terreiro e Embaixada da Performance Arte – EPA
Apoio Encontro de Espaços Independentes de Arte – EEI Arte
https://emergencyindex.com/projects/2020/736-737
A performance “Decolonizando com Ervas” foi realizada durante uma ativação de uma instalação, que foi realizada em meu estúdio, para transmissão ao vivo pela internet. Representa um banho de ervas, os arquétipos da entidade espiritual Pretos Velhos e objetos sagrados afro-brasileiros. O roteiro da performance é marcado por três gestos simbólicos: o manuseio das ervas, a entoação dos Cantos e o banho de ervas no final da ação. Durante a ação, apresento a linha tênue que existe entre a prática artística e o transe, que é enunciada pelos sete cantos rituais, com a intenção de criticar o colonialismo e a diáspora africana. A maior frente de resistência dos africanos no Brasil foi o cultivo clandestino de suas culturas durante a escravidão, principalmente o sagrado. As religiões de matriz africana vivenciam grande preconceito e racismo no Brasil. Apresentar essa ação, realizada entre a arte e o sagrado e exposta em conjunto com uma instalação construída com elementos rituais, é significativa por reverenciar essa matriz africana sagrada, fundamental para a contribuição dos traços africanos presentes na cultura brasileira. O banho com ervas aromáticas, fundamental para a performance, é um gesto recorrente na vida dos praticantes do sagrado de matriz afro-indígena. Aqui, nesta peça performática, a ação, a montagem e a encenação são inspiradas nesta prática, mas a presença e a beleza das ervas com seu componente fitoterápico é particularmente ampliada, pois é tomado em uma quantidade muito maior do que o necessário, considerando o banho de uma pessoa. Por isso, leva para o meio ambiente o aroma e o cuidado, presentes no preparo do banho de ervas. Com a mediação de um altar de Pretas e Pretos Velhos, as entidades da magia e da sabedoria foi representado sob a roupagem de escravidão. No sítio arqueológico da nossa história atlântica, eles são os protagonistas ancestrais da luta pela igualdade social. O movimento de trânsitos nos mares do sul e do norte, para negociar políticas de sobrevivência, parte deles. A vela acesa sobre a mesa, pretende levar amor e liberdade para as almas que viveram em regime de cárcere, opressão e marginalização. Nossa ancestralidade compreende povos afro-indígenas que Outros insistem em tornar invisíveis, dizimando corpos e culturas. Mas ao montar essa imagem, por meio da performance e da instalação em artes, criamos novos hologramas misturando imagens do hoje e do passado e, portanto, um novo significado pode se tornar possível.





PROCISSÃO DE PRETOS VELHOS:
DA AYMORÉ AO CRUZEIRO DAS ALMAS PRETAS, 2019
Performance
Exposição coletiva Plural, curadoria Daniela Name e Gabriela Davies, curadoria de performance Luana Aguiar, Galeria Aymoré, Rio de Janeiro, Brasil.
Performance com utilização da obra “Estandartes de Aruanda”, velas, figurino para apresentar Pretas e Pretos Velhos, realizada na área externa da galeria, duração 30 minutos.
É uma performance que propõe um diálogo entre arte, espiritualidade e história, trazendo uma reflexão sobre a diáspora africana e seu desdobramento nos dias atuais nas vidas de pessoas negras e excluídas. Com a ideia de procissão como um ato performático no qual a artista Luanda reúne um grupo de pessoas para caminharem juntas, lado a lado, com o mesmo propósito – trazer à memória a diáspora e a luta pela liberdade – no período colonial e que consequências temos disso nos dias atuais. Enquanto todos caminham juntos, a artista vai cantando Pontos da Umbanda que narram uma trajetória vivida por muitos, como a travessia do Atlântico, o trabalho, a liberdade e a transformação de algumas pessoas escravizadas na Entidade Pretos Velhos. A performance termina com o cântico de um Ponto que cita o cruzeiro das almas, e convida todas as pessoas a colocarem as velas ali. No final da performance, transmutamos nossa memória escravocrata e voltamos libertos das amarras enraizadas em nossos pensamentos, decolonizamos. Durante o percurso, a artista está vestida com um figurino de Preta e Preto Velhos. O figurino revela alguns símbolos essenciais relacionados a Entidade. Para sinalizar a presença de ambos, ela vai alternando lenço branco, usado pelas Pretas Velhas, e chápeu de palha, usado pelos Pretos Velhos, durante o percurso.
Os Pretos Velhos representam o amor e a liberdade. É a alma de um escravizado que ascendeu e se tornou uma Entidade Religiosa da Umbanda. O trabalho dessa Entidade junto ao Orixá Omolu / Obaluaê é a regência do Cruzeiro das Almas. É um portal de passagem entre o mundo físico e o mundo espiritual. Ao citar os Pretos Velhos nessa performance em forma de Procissão, mostra que é preciso haver mais amor entre as pessoas para mudar a visão que temos de nós, sem discriminação racial, pois com amor poderemos ter um pensamento livre e um mundo mais libertário.











Maria Conga – Gestos, 2019
Vídeoperformance | duração 1 min 03 seg
sinopse: as mãos da artista fazem gestos, citando a Preta Velha Maria Conga. Sob a luz de velas, manipula sementes de kapiá (também conhecida como Lágrima de Nossa Senhora) junto a ervas secas.
A performance foi realizada pelas mãos da artista para evidenciar gestos que identificam o guia afro-brasileiro da Umbanda, os Pretos Velhos. Gestos que, muitas vezes, enunciam o amor, o perdão, a cura, a sabedoria e a beleza desse ancestral sagrado. Por isso, toda a performance é gravada num enquadramento em close a ação. O vídeo mostra a manipulação de um dos objetos simbólicos que representam as Pretas e os Pretos Velhos: o rosário. É uma das heranças simbólicas das culturas de matriz africana no Brasil junto ao catolicismo popular, importante na nossa formação cultural brasileira, remetem ao processo de aproximação e mistura de religiosidades, que desde o princípio, trouxe um traço de opressão e resistência.

Coleção Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MACRS
série mesa de griot (2019 – 2021)
Fotografia
registro, à luz de vela, das atividades ocorridas na “Mesa de Griot”, dimensão 100 x 150 cm,
A série tem 491 fotografias
“Série Mesa de Griot – tríptico”, 60 x 40cm, Coleção Quarantine (55SP) Acervo SESC SP
Fotografias dos rastros “da cena” ocorrida no tampo da mesa da artista intitulada “Mesa de Griot”. Conforme as práticas diárias vão acontecendo no ateliê, vão construindo a narrativa da série. Muitos acontecimentos se misturam à produção artística, os desenhos, os textos, as velas acesas formam a composição que é fotografada. Nas imagens fotográficas, a presença do tom avermelhado escuro das fotografias apresenta a relação da cultura de terreiro e da arte contemporânea. São feitos enquadramentos em close de fragmentos da “Mesa” junto ao calor da luz da vela.
ATLAS, SÉRIE MAR NEGRO, 2016
Foto-instalação
fotografias do mar, retratos de ex escravizados e luz de Led sobre mdf cru, dimensão 600 cm x 200 cm x 15 mm
Dentro da Série Mar Negro, reuni diversos trabalhos que relacionam mar e escravização. Entre os trabalhos dessa série, estão o Atlas Atlântico, o Atlas Encruzilhada e o Atlas Quilombo. Os atlas foram construídos como instalações fotográficos e escultóricas, mostrando o problema colonial por via das águas do mar, dos rios e da chuva, ou seja, todas essas manifestações da natureza também associadas às Yabas, tais como, Yemanja para o mar, Oxum para os rios e Nanã para a chuva. No primeiro atlas, eu falo do momento da travessia do mar, salientando o desencarne dos corpos, no segundo falo dos cruzamentos/ embates que tiveram na escravidão e no terceiro a possibilidade de liberdade na estratégia de fuga para as organizações quilombolas. Cada cena histórica dessas se passa em um lugar energético da natureza, por isso essas associações às orixás femininas.

foto – Instalação, 500 fotografias do mar (10 x15 cm), 600 lâmpadas de led, 13 fotografias de arquivo de negros escravizados do Acervo Fotográfico do Museu Hipólito José da Costa, Acervo Fotográfico e Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, Fototeca Sioma Breitman. Fotos adesivados sobre estrutura arquitetônica em MDF cru – 600 x 220 x 0,15 cm

A RODA É A ÁFRICA, série Mar Negro, 2016
Objeto musical
roda em madeira com mapas de África e países Brasil, Portugal, França e Inglaterra em MDF cru, motor, sensor de presença, player MP3 com som de Ponto de Preto Velho “Minha cachimba tem mironga, Minha cachimba tem dendê“, dimensão 60cm x 60 cm x 15cm

Série FUNDO DO MAR, 2018-2025
Pintura
pigmento mineral e água sobre lona de algodão | dimensão de cada pintura 137 x 270 x 5 cm.
O mar apresentado nessas pinturas é o mar da travessia do Atlântico, onde morreram milhões de pessoas entre África, América e Europa. A partir dessa situação de “morte no mar” foram desenvolvidas as pinturas da série.
Temos uma série de pinturas das águas salgadas e dos ancestrais desencarnados no Atlântico. Pigmentos regados por muita água, vão adensando as camadas. Esse “fundo do mar” tenta apresentar um rastro da tragédia da travessia do Atlântico. Não só os corpos de milhões desencarnados durante a escravização, mas também antigos parentes que morreram no mar, na travessia do Atlântico. Com diversas camadas de água, diversos tipos de pigmentos azuis, e pequenas porções de pigmento branco, verde, ocre ou lilás, as cores vão se sobrepondo em poças de água, se misturam, involuntariamente formam índices de rostos diversos.



SÉRIE Espiritual, 2019
Pintura
pigmento mineral e água doce sobre lona de algodão cru, 140 x 180 cm
Espiritual I, Coleção MAC RS – Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul , Porto Alegre/RS, Brasil
Espiritual II, Coleção privada, São Paulo/SP, Brasil
A série Espiritual, com manchas de cores quentes, vermelhas, alaranjadas, com amarelo ouro e dourado, é um trabalho que tenta apresentar as energias da ancestralidade no contato com o corpo humano em transe, ou seja, tentando mostrar em cores, tudo o que a artista sentia ao incorporar. Ao mesmo tempo que essas pinturas ocorriam no ateliê, eu estava num aprendizado de comunidade de terreiro, aprendendo sobre o equilíbrio dos chakras, o desenvolvimento do transe e o convívio com diversas práticas ancestrais. Um momento interessante para a artista, como uma profusão de acontecimentos e novas vivências de sabedorias de terreiro que estão presentes nas pinturas.

Espiritual II, Espiritual III, exposição “Liberdade 4 Atos”, Galeria Mamute, 2019-2020



Terreiro atlÂntico
Liberdade: 4 Atos, 2019–2020
Exposição individual apresentada no projeto Bay Window, Galeria Mamute, Porto Alegre, Brasil
A apresentação foi organizada pela artista da seguinte forma, 1o Ato, pinturas da série Espiritual, 2o Ato, instalação Natividade de Oxalá, 3o Ato, vídeo performance Maria Conga, 4o Ato, objetos Estandarte de Aruanda junto a realização da performance “Procissão de Pretos Velhos – da Mamute à Igreja do Rosário” do lado externo da Galeria. Cada obra é apresentada como um ato político que mostra a intenção da artista em valorar a cultura afro-brasiliera proveniente dos Terreiros.
Todas as fotografias são da artista Vilma Sonaglio

vista parcial da exposição “Liberdade : 4 Atos

“Natividade de Oxalá”(2019) , instalação | toalhas, rosários, machados de Xangô, alguidar com luzes de Led, luz Led filamento suspensa

detalhe da instalação “Natividade de Oxalá”(2019)



“Gestos de Maria Conga”, 2019, vídeoarte | “Natividade de Oxalá”, 2019, instalação
CURA DE OXUM, 2017
Performance
a artista, vestida de branco, espalha e derrama sal bruto nas margens de um rio na Romênia, duração 1 hora
Performance realizada no In Context Residency Programme, Slanic Moldova, Romênia.
CRÉDITOS: equipe: Idealização e performer: Luanda | Produção executiva: Alina Teodorescu | Fotografia: Ovidio Ungureanu | Video: Dan Ciobanu | Figurino: Loredana Ciangau | Transporte: Moraru Benone | Apoio: Association of Art In Context, Chromatique, Atelie Couture e Prefeitura Slanic Moldova, Romaniae
Foi derramada meia tonelada de sal bruto espalhado entre as duas margens do rio, de joelhos sobre esse monte de sal, a artista vai empurrando e enterrando o sal na água, lentamente, como quem massageia um corpo e o liberta do excesso de sal. Para a artista o sal representa a escravidão, desde que soube que os escravizados, depois dos castigos das chibatadas eram enrolados em esteiras cobertas de sal para curar os cortes e serem castigados novamente. Por isso a performance tem um figurino próprio. O vestido branco usado pela artista funciona como uma sinalização da cultura local que é de origem eslava. As origens da palavra escravo vem da palavra inglesa slave que por sua vez vem de eslavo, intercambiando essas origens da escravidão num trabalho que é filmado na Romênia, mas se referindo a uma cultura afro-brasileira. Em nome da Orixá Oxum, entidade religiosa que rege as águas doces, o ato sugerido pelo título da obra de uma “cura da escravidão” pelo derramamento do sal na água é feito pela artista também com a intenção de recalcar essa memória. Essas ideias e formas estão inscritas na imagem filmada, exibindo a natureza, o sagrado e a cultura.


Mar Negro, 2017
Exposição individual, Paço dos Açorianos, Centro Histórico de Porto Alegre/RS, Brasil
indicada ao Prêmio Açorianos 2018, Porto Alegre/RS
Idealizado por Luanda, a exposição ofereceu ao público a relação entre o mar e a escravidão, com a instalação “Yemanja encontra os Pretos Velhos”, duas vídeo-instalações, “Mares” e “Batistmo”, a foto instalação “Atlas Atlântico” e o objeto musical “A Roda é a África”. Para ampliação das reflexões propostas nas obras da mostra, Luanda convidou 4 artistas, Claudia Paim, Andressa Catergiani, Marion Velasco e Antônio Bueno para realizar eventos paralelos durante os dois meses de exposição. Na abertura, convidou Mãe Angélica para cantar um Ponto para Yemanjá, e, no encerramento, convidou o historiador Pedro Ferreira Vargas para fazer uma visita guiada em seu projeto Museu do Percurso do Negro. A mostra contou ainda com um bate-papo entre a artista e a curadora Niura Ribeiro.

Paço Municipal de Porto Alegre, galerias do Porão do Paço


rede de pesca, arte naval com corda de marinheiro, objetos sagrados de Pretos Velhos e Yemanja
300 x 300 x 5 cm

instalação: um banquinho branco de Pretos Velhos usado em terreiro, vaso com rosa branca, pires e vela acesa, um
copo de água. Realizada na exposição individual Mar Negro, Paço Municipal, Porto Alegre. O altar foi mantido durante os 2 meses de exposição, sendo recolocada a vela e a água.

vídeo-instalação: vídeo e 2 banquinhos brancos de Pretos Velhos usado em terreiro.

Pintura, Pigmento e água sobre lona de algodão
300 x 150 cm

600 x 220 x 0,15 cm

Nomes de filhos de escravizados do livro de batismo de Irajá-RJ (1704-1707), em que foram resgistrados como escravizados ao nascer. Livro do acervo Manuscritos da
Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.
Durante os Conflitos Políticos, 2017
Performance
a artista realiza um ritual para os ancestrais mortos no mar; sobre a lona de algodão cru, com tinta acrílica, água do mar, sal bruto e velas, ela revela uma história. Duração 1 hora.
A performance foi apresentada na exposição coletiva “Políticas Incendiárias”, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica – CMAHO, Rio de Janeiro, Brasil
Na performance, a artista sugere que um corpo miscigenado morreu num conflito político. Vemos a artista deitada sobre a tela, sendo desenhada por uma pessoa convidada a desenhá-la na tela. O “corpo-alma” da artista levanta para fazer seu próprio ritual. Vestida de branco, ao som de atabaques, rememora curas afro-brasileiras e indígenas, ritualizando a partir de seu próprio corpo desenhado simbolicamente à beira mar para apresentar os ancestrais que morreram no mar. Um rastro azul surge quase ao final da performance como índice da presença do mar, a cor é diluída pela água. O calor e cor das velas acesas suscitam almas da ancestralidade e remete ao calor das incorporações.




SoprO, 2016
Vídeo performance
a artista manipula sal e areia, duração 10 minutos
Como um ritual para libertar escravizados, a artista, deitada na beira da praia, performa para abrir espaço no solo, com a força do sopro de uma presença feminina, empurra e/ou varre o sal da areia, ao som do vento e das águas do mar. Para a artista, o sal apresenta os castigos dados aos escravizados e a areia apresenta a pele deles. Assim a ação experimenta despertar memórias de um passado latente (escravagista) da história Atlântica.


GIRA patuá – sÉrie terreiro, 2018
fotografia
patuás realizados com ervas, flores e guia sobre fundo branco, dimensão 70 x 100 cm
O trabalho foi realizado durante a iniciação da artista no Terreiro de Umbanda em 2017. Os Guias afro-brasileiros manipulavam ervas, flores e rosário sobre as mãos da artista, durante a cerimônia sagrada, formando objetos orgânicos. A artista guardava e trazia para sua casa-ateliê para fotografar nomeandos-os de patuá.


Gira banda – série terreiro, 2018
objeto
ponto riscado sobre ponto bordado em pano de algodão, sementes de kapiá com ervas, rosa branca e búzios, dimensão 30 cm x 40 cm

O Amor Nascerá, 2018
instalação sonora
exposição coletiva “Manjar: Amar em Liberdade”, aniversário de 3 anos, Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro, Brasil
banco branco de Preto Velho; “Gira Banda” (patuá com ponto riscado sobre ponto bordado); áudio da “Carta de Amor” do Preto Velhos Pai Cipriano, captação mediúnica da artista, caixas de som, mp3 player e seis esteiras de taboa em círculo.

instalação “O Amor Nascerá” no Solar dos Abacaxis, dezembro 2018. (fotografia divulgação Solar dos Abacaxis)

Série Cordas e Mares, 2015 – 2016
fotografias, vídeos, instalações e projetos
giras formam a série, dimensões variáveis
Os trabalhos desta série trazem a relação “mar e escravização” a partir de navegações realizadas pela artista no mar da Baía de Guanabara durante o programa de Residência Artística no Despina, Rio de Janeiro de outubro a dezembro de 2015.

Ação, fotografia, série Cordas e Mares


Vocabulário afrodiaspórico – série cordas e mares
fotografia, palavras, oriundas da diáspora africana, escritas sobre o mar, dimensão de cada fotografia 30 x 40 cm






Limite – Série cordas e mares
Ambientes – SÉrie sinal vermelho, 2015
Vídeo instalação
combinação de diversas telas de fotografias, vídeos, pinturas e sons para falar do excesso de poluição na Baía de Guanabara, duração 30 minutos. Instalação | banco branco 150cm x 60 cm x 5 cm | projeção 16:9 em 5m x 3m | dimensão da sala 500cm x 400cm
Ambientes é composto por diversas imagens da poluição do meio ambiente e a morte da natureza na Baía de Guanabara especificamente na Praia de Botafogo. Um falso panorama em preto e branco é construído pela artista, adicionando os pontos de vista das Praia de Botafogo e Praia do Flamengo que alude ao cartão postal amplamente utilizado pelo turismo carioca e brasileiro. O falso Panorama é uma imagem estática em preto e branco que está presente em todo video. Há outros momentos panorâmicos que dão a noção de espaço da paisagem. As demais imagens dialogam com ele, falando sobre meio-ambiente, sobre a morte, sobre o lixo e a Natureza-Morta da História da Arte. A trilha sonora auxilia na construção desse espaço degradado da natureza. Temos 500 fotografias, 7 vídeos e 11 pinturas que compõe todo o vídeo.



frame do vídeo “Ambientes”














