Ateliê Terreiro

Espaço de trabalho de Luanda expandido a outros artistas e intelectuais que estudam e são praticantes da cultura afro-brasileira e indígena

o espaço-tempo de um terreiro na arte contemporânea

A partir do ano de 2015, eu como artista e pesquisadora, me iniciei no sagrado da Umbanda, também estava iniciando meus estudos em cultura afro-indígena a partir da diáspora afro- atlântica. Em 2017, nomeei o meu ateliê de Ateliê Terreiro, porque percebi que nesse espaço de trabalho, onde realizo minha prática artística, havia uma forte presença desse sagrado afro-diaspórico. Dois anos depois, no dia 27 de junho de 2019, iniciei a construção de um Grupo, a partir de conceitos do Ateliê Terreiro, com um grupo de pessoas que estudassem e/ou tivessem uma prática artística indígena e/ou afro-brasileira; que lutasse contra o racismo, sendo pessoas antirracistas e racializadas. Em 2020, criei o evento “Ateliê Terreiro Convida”, com convidados externos que contribuam com suas pesquisas e realizem trocas com o Grupo para a construção de um pensamento reflexivo e decolonial.

Tenho cinco principais Guias afro-brasileiros, consciências negras ancestrais que me acompanham, Pai Cipriano, Maria Conga, Vovó Ana, Maria do Rosário e Pai Benedito. Juntos temos conversas que inspiram meu trabalho, a coordenação do grupo e a curadoria do evento. Portanto, Luanda é um “corpo coletivo” racializado e espiritualizado, é o nome que assino meu trabalho, sem sobrenome, para incluir essa família ancestral.

Fundei um conceito de ateliê expandido, meu ateliê, o grupo e um evento que possam reverberar nas reflexões e produções de um terreiro da arte.

Espaço de arte LIVRE

desde 2016

Primeiramente, o Ateliê Terreiro é um conjunto de processos e intenções contra-coloniais e racializadas em arte contemporânea, espiritualidade de matriz africana e indígena, ou seja, questões étnico-raciais que resultou na nossa cultura indígena e afro-brasileira. Toda as narrativas de uma histórica atlântica que ressoa até hoje , elaborada em um diálogo expandido para construir o conceito e práticas do Ateliê Terreiro.

Fiz um inventário, pra ficar mais visual essa proposta a partir da minha condição social e experiência de vida, que essa arte e cultura indígena e afro-brasileira seriam a reunião de orixás, entidades, santos, encantados, espíritos, espiritualidade, sagrado, religião, ervas, flores, folhas, plantas, fitas, cestas, peneiras e esteira de palha, cerâmica, alguidar, bordados, crochês, miçangas, plumas, contas, pedrinhas, guias, rosários, louças brancas e de cerâmica, água, terra, fogo, ar, mar, rio, lago, floresta, fogueira, vela, comida de cerimônia religiosa e étnica, panos brancos, giz pemba, terreiro, território, fotografia, performance, instalação, desenho, objeto, aulas, educação, etnia, ameríndia, negra, branca, miscigenada, afeto, encantamento, liberdade e amor num tratado de todas essas cores, formas, conceitos e assuntos.

Fundamentalmente um conjunto de reflexão e experiência individual e coletiva, nosso território, nosso terreiro, nosso encontro plural. Somos também uma proposta de reflexão sobre a invasão e escravização no Pindorama, Brasil e seu desdobramento nos dias atuais, nas vidas de pessoas negras, indígenas e excluídas. Por existirem questões que perpetuam desde a colonialidade até a atualidade, como intolerâncias religiosas, discriminações étnico-raciais, falta de justiça social e direitos humanos aos povos originários e povos africanos. Temos uma liberdade que foi conquistada por negros e indígenas no período de 400 anos com muita perseverança. Proponho a reflexão de que essa intenção por liberdade não possa ser apagada e precisa ser reconquistada a cada dia em vários campos de nossa vida social para que todo grupo e sociedade veja essa liberdade ser multiplicada, que viva essa liberdade em grupo. Mas para isso ela precisa ser construída. Proponho que seja construída pela virtude do amor. O amor pensado é a pureza do amor – o amor incondicional, o amor resistência, o amor ativista, a política desse amor, o amor como a única verdade.amor por um outro ser humano exatamente igual a mim, exatamente diferente de mim, não importa ser ou não ser igual. Vamos amar essa diferença, se abrir para o desconhecido, não julgar o/a outro/a, se dispor a escutar o/a/e outro/a/e e ter dentro de si “eu não sei nada”, ou seja, se por a disposição de escutar, compreender as singularidades e diferenças, construir uma abordagem que se preocupa com o/a/e outro/a/e, com o nosso coletive, com a comunidade, com a horizontalidade nas relações.

Grupo (2019 – )

O Grupo é formado por Ana Paula Lopes, Carina Oliveira, Dirnei Prates, Leandro Machado, Luanda, Lúcia Lombardi, Luísa Magaly, Nathalia Werneck, Pako Jakutynga, Raphel Couto Róger Brunorio, Vinícius Pastor, Thaiana Rodrigues. Coordenação Luanda.

Fazemos uma experiência prático-teórica e atuação indivíduo-coletivo. O Grupo tem a intenção de formar pessoas e formar seus próprios integrantes, como uma via de mão dupla e acolhimento, o importante são as trocas que temos a cada encontro. Nós nos aquilombamos.

Pensamos que nessas conversas e diálogos, estão nossa formação humana, porque estamos trocando experiências nesse Grupo e queremos compartilhar nosso conhecimento em todas as dimensões. Isso é o amor inter-racial que queremos. Estamos aqui juntos em busca de um elo perdido, algo que se perdeu entre nós e nossa história indígena e/ou afro-diaspórica, que parece nos impedir de olhar, de escutar e acolher a pessoa que está ao nosso lado pela sua cor étnica. Propomos que precisamos buscar esse elo amoroso e conectar entre nós e a todas as pessoas.

Negro Artista Soy
Leandro Machado
Artista, cineasta, umbandista e artivista Fundadora do Ateliê Terreiro
Luanda
francisco.patricia@gmail.com
Artista, fotógrafa e historiadora da arte
NATHALIA WERNECK
WERNECK.NATHALIA@GMAIL.COM
Artista

Dirnei Prates

Franciscano, museólogo, artista e curador
RÓGER BRUNORIO
ROGERBENSCULTURAIS@GMAIL.COM

Ateliê Terreiro convida (2020 – )

O evento consiste em uma apresentação da pessoa convidada e, em seguida, a apresentação de uma pessoa integrante do Grupo do Ateliê Terreiro, depois abrimos o debate para conversar com o público. Ele é realizado mensalmente, uma live no Youtube do Ateliê Terreiro, geralmente, no final do mês.


Nos nossos eventos já tivemos os convidados Jaider Esbell e Paula Berbert ( arte indígena contemporânea e espiritualidade), Ayrson Heráclito (arte e sagrado de matriz africana), Ricardo Basbaum (questões de práticas artísticas participativas, espaços de arte independentes e coletividade na arte contemporânea), Jorge Vasconcellos (devir quilombista), Ana Paula Lopes (curadoria a partir da perspectiva de Milton Santos) Joceval Santos (Orixás e culinária de terreiro), Pai Cléber/ Mèjitó Cléber de Gbsèsen (práticas sagradas entre Umbanda e Candomblé)