Portfólio

cachimba, 2022

Exposição individual, Museu da História e da Cultura Afro-brasileira-MUHCAB, Rio de Janeiro

Maria Conga | Luiza Mahin, detalhe da pintura

Abertura da exposição Cachimba, Sala Mercedes Batista, MUHCAB – Museu da História e da Cultura Afro-brasileira do Rio de Janeiro, junho | julho 2022
Vista parcial da exposição “Cachimba”. fotografia Guilherme Espíndola
Fundo do Mar n.5 – Série Kalunga, 2018, pintura, pigmentos e água, 140 cm x 278 cm. Fotografia Thales Leite

Série Histórias de liberdade e guias , 2021-2022

A série é apresentada como instalações, composta por 7 obras, 5 pinturas-instalações sonoras e 2 esculturas

PINTURAS: pigmento, acrílica, folha de ouro sobre tela, dimensão de cada pintura 140 x 86 cm,

OBJETOS: alguidar com ítens (dendê, vela, pemba, figa de guiné e café), banco de Pretos Velhos, fones de ouvido, compensado naval coberto por tecidos e esteira de taboa, placa de inox com identificação do/a Preto/a Velho/a , uma personalidade histórica do século 19 e o território onde viveu;

SONS: Pontos de Pretos Velhos cantados pela artista acompanhados por violão com o músico Ronald Valle, 2021, Ponto de Pai Cipriano (4 min) Ponto de Maria Conga (3min9seg), Ponto de Vovó Ana (1min5seg), Ponto de Maria do Rosário (1min56segmin) e Ponto de Pai Benedito (1min29seg)

ESCULTURAS: “Cachimba”, 2022, escultura, cerâmica e madeira, 86 cm x 100 cm x 300 cm; projeto executado na olaria Gereco Cerâmicas; “Rosário”, 2020, escultura, corda, plástico e madeira, 8cm x 10 metros x dimensões variáveis; pintura das contas realizada pelo artista Vinícius Pastor.

Pai Cipriano | Luiz Gama | Bahia, 2021, pintura, 140 x 86 cm. fotografia Thales Leite
Maria Conga | Luísa Mahin | Bahia, 2021, pintura, 140cm x 86cm
Vovó Ana | Sonia Kilomba | Pernambuco, 2022, pintura, 140cm x 86cm. fotografia Thales Leite
Maria do Rosário | Josefina | Rio Grande do Sul, 2022, pintura, 140cm x 86cm. fotografia Thales Leite
Pai Benedito | Sergio das Curas | Rio de Janeiro, 2022, pintura, 140cm x 86cm. fotografia Thales Leite

As Pinturas

A proposta leva o espectador ao universo dos Pretos Velhos — mergulhando na cultura de Terreiro — porém, ao se aproximar das pinturas, descobrirá que está diante de personalidades importantes da nossa História, percebendo a dualidade da imagem, misturando histórias do mundo de Aruanda com o mundo da Terra. As pinturas colocam os Pretos Velhos sagrados como co-autores da história da cultura afro-brasileira ao relacioná-los a personagens históricos que temos como resistência político-cultural hoje. Essas duas figurações juntas são um duplo, no qual estão sendo feitas retratos pintados em que Pretos Velhos e as personalidades se encontram na mesma pintura. Esse efeito foi pensando rejuvenescendo os Pretos Velhos para aproximar de uma vida encarnada como personalidade histórica e ao mesmo tempo trazendo símbolos sagrados que os retornam como Pretos Velhos.

Detalhe da pintura-instalação sonora de Pai Cipriano – Luiz Gama (Bahia) 2021. fotografia Thales Leite
detalhe da pintura-instalação sonora “Pai Benedito | Sérgio das Curas (Rio de Janeiro)” 2022. fotografia Thales Leite
detalhe da pintura-instalação sonora “Vovó Ana | Sonia Kilomba (Pernambuco), 2022. fotografia Thales Leite

As Instalações Sonoras

Decidi propor nas cinco pinturas-instalações  da exposição Cachimba, um duplo retratado, ou seja, a apresentação de um personagem histórico e de um Preto Velho no mesmo rosto e com cores específicas, sendo circundado por suas cosmologias históricas e sagradas na pintura e nos objetos que compõe a instalação, alguidar com oferenda, banquinhos de Pretos Velhos de Terreiro e cânticos oriundos dos Pontos sagrados das Giras arranjados na combinação de minha voz e um violão. É a minha experiência de incorporação que está sendo passada ao visitante através da música cantada e escolhida para cada obra. Por isso tudo, posso sentar no banquinho branco, colocar os fones de ouvido e olhar para a pintura e o objeto, dando início a uma possível conversa, a leitura de uma história que está inscrita na pintura. Vejo que ao redor do retratado tem um universo, que se localiza acima do topo de minha cabeça, acima de meu sagrado orí , onde temos acesso a incorporação. Aos meus pés, contemplo uma oferenda localizada no chão bem próxima do corpo da pintura. A entidade está corporificada. Porque uma estrutura retangular dá corporeidade aquele rosto pintado que vemos, é composta de elementos significantes e por dimensões que verticalizam a peça. A pintura é expandida ao painel retangular de madeira naval coberto por cores preto e branco de tecido e/ou esteira cor de palha. A pintura se completa no painel com cores que dialogam com as tintas. Mas não há só um jogo de cores há também importantes signos referenciais de Cultura de Terreiro.” (trecho do artigo “Roteiro de visita para encontrar ancestrais sagrados que cruzaram o Atlântico” escrito por Luanda)

Pai Cipriano | Luiz Gama (São Paulo), 2021, pintura-instalação sonora, 220 x 160 x 170 cm
detalhe da instalação “Pai Cipriano | Luiz Gama (São Paulo)”, 2022, alguidar com azeite dendê
“Maria do Rosário | Josefina (Rio Grande do Sul)”, 2022, pintura-instalação sonora, 220cm x 160cm x 170cm. Fotografia Thales Leite
“Maria do Rosário | Josefina (Rio Grande do Sul)”, 2022, alguidar com velas
pinturas instalações sonoras “Vovó Ana | Sonia Kilomba (Pernambuco), 2022 e “Maria Conga | Luísa Mahin (Bahia)”, 2021
detalhe da pintura-instalação sonora “Maria Conga | Luísa Mahin (Bahia), 2021. fotografia Thales Leite
“Ponto de Maria Conga” , voz Luanda, violão Ronald Valle

As Esculturas

“…ressignificar histórias da nossa colonização com tantos elos perdidos em tantos aspectos ancestrais, culturais, sociais, políticos e econômicos. Apartar os Pretos Velhos da Arte, da História e da sociedade em geral, deixando-os apenas nos Terreiros, não é boa solução, o momento é de união de todas as partes da História e da Cultura afro-brasileira.” (trecho do artigo “Roteiro de visita para encontrar ancestrais sagrados que cruzaram o Atlântico” escrito por Luanda)

detalhe “Cachimba”, escultura, 2022. fotografia Thales Leite
detalhe “Rosário”, 2020, escultura. Fotografia Thales Leite
vista geral da “Série Histórias de Liberdade e Guias”, 2020-2022, na exposição “Cachimba”, MUHCAB
Vídeo da abertura da exposição Cachimba, junho 2022

Série Máscaras Vivas Ancestralidade Afroindígena, 2020-2021

Foto-performance, a artista faz performances para a câmera com objetos, sementes e ervas, dimensão variável

Apresento diversas “máscaras” que estão vivas em meu inconsciente ancestral e como praticante do sagrado umbandista. Cada foto-performance mostra a tentativa de uma conversa, que foi interrompida durante a invasão e colonização do país. Decorrente dessa situação política, nasceu a mestiçagem. Sendo oriunda dessa mistura racial, faço uso de alguns elementos simbólicos sobre meu rosto, trazendo alguns indícios da pluralidade da cultura indígena e africana. Assim, cada búzio, semente ou qualquer outro referencial das comunidades afro-brasileira ou indígena, usado na ação, forma uma sub-série dentro da série Máscaras Vivas. As sub-séries são nomeadas de Gira.

GIRA Kapiá, 2021

GIRA rosários, 2020

Rosários I, 2020
Fotoperformance, ação com rosários diversos, esteira de taboa, auto-retrato, dimensão 70 x 50 cm

Rosários II, 2020
Fotoperformance, ação com rosários diversos, esteira de taboa, auto-retrato, dimensão 70 x 50 cm

Rosários III, 2020
Fotoperformance, ação com rosários diversos, esteira de taboa, auto-retrato, dimensão 70 x 50 cm

Rosários IV, 2020
Fotoperformance, ação com rosários diversos, esteira de taboa, auto-retrato, dimensão 70 x 50 cm

Rosários V, 2020
Fotoperformance, ação com rosários diversos, esteira de taboa, auto-retrato, dimensão 70 x 50 cm

Rosários VI, 2020
Fotoperformance, ação com rosários diversos, esteira de taboa, auto-retrato, dimensão 70 x 50 cm

Decolonizando com Ervas, 2020

Instalação e performance, dimensão instalação 300 x 250 cm, duração da performance 43 minutos

Exposição Perforcâmbio InCorporAção, live performance YouTube EPA Ateliê Terreiro e Embaixada da Performance Arte – EPA Apoio Encontro de Espaços Independentes de Arte – EEI Arte

vídeo com o registro de toda performance

A performance “Decolonizando com Ervas” foi realizada durante uma ativação de uma instalação, que foi realizada em meu estúdio, para transmissão ao vivo pela internet. Representa um banho de ervas, os arquétipos da entidade espiritual Pretos Velhos e objetossagrados afro-brasileiros. O roteiro da performance é marcado por três gestos simbólicos: o manuseio das ervas, a entoação dos Cantos e o banho de ervas no final da ação. Durante a ação, apresento a linha tênue que existe entre a prática artística e o transe, que é enunciada pelos sete cantos rituais, com a intenção de criticar o colonialismo e a diáspora africana. A maior frente de resistência dos africanos no Brasil foi o cultivo clandestino de suas culturas durante a escravidão, principalmente o sagrado. As religiões de matriz africana vivenciam grande preconceito e racismo no Brasil. Apresentar essa ação, realizada entre a arte e o sagrado e exposta em conjunto com uma instalação construída com elementos rituais, é significativa por reverenciar essa matriz africana sagrada, fundamental para a contribuição dos traços africanos presentes na cultura brasileira. O banho com ervas aromáticas, fundamental para a performance, é um gesto recorrente na vida dos praticantes do sagrado matriz afro-indígena. Aqui, nesta peça performática, a ação, a montagem e a encenação são inspiradas nesta prática, mas a presença e a beleza das ervas com seu componente fitoterápico é particularmente ampliada, pois é tomado em uma quantidade muito maior do que o necessário, considerando o banho de uma pessoa. Por isso, leva para o meio ambiente o aroma e o cuidado, presentes no preparo do banho de ervas. Com a mediação de um altar de Pretas e Pretos Velhos, o arquétipo do mágico e sábio foi representado sob a roupagem de escravidão. No sítio arqueológico da nossa história atlântica, eles são os protagonistas ancestrais da luta pela igualdade social. O movimento de trânsitos nos mares do sul e do norte, para negociar políticas de sobrevivência, parte deles. A vela acesa sobre a mesa, pretende levar amor e liberdade para as almas que viveram em regime de cárcere, opressão e marginalização. Nossa ancestralidade compreende povos afro-indígenas que Outros insistem em tornar invisíveis, dizimando corpos e culturas. Mas ao montar essa imagem, por meio da performance e da instalação, criamos novos hologramas misturando imagens do hoje e do passado e, portanto, um novo significado pode se tornar possível.

Instalação “Decolonizando com Ervas”
detalhe do topo da mesa da instalação “Decolonizando com Ervas”, 2020

final da performance de ativação da instalação “Decolonizando com Ervas”, 2020

PROCISSÃO DE PRETOS VELHOS:
DA AYMORÉ AO CRUZEIRO DAS ALMAS PRETAS, 2019

Exposição coletiva Plural, curadoria Daniela Name e Gabriela Davies, curadoria de performance Luana Aguiar, Galeria Aymoré, Rio de Janeiro, Brasil.

Performance com utilização da obra “Estandartes de Aruanda”, velas,  figurino Pretas e Pretos Velhos, realizada na área externa da galeria, duração 30 minutos.

É uma performance que propõe um diálogo entre arte, espiritualidade e história, trazendo uma reflexão sobre a diáspora africana e seu desdobramento nos dias atuais nas vidas de pessoas negras e excluídas. Com a ideia de procissão como um ato performático no qual a artista Luandareúne um grupo de pessoas para caminharem juntas, lado a lado, com o mesmo propósito – trazer à memória a diáspora e a luta pela liberdade –  no período colonial e que consequências temos disso nos dias atuais. Enquanto todos caminham juntos, a artista vai cantando Pontos da Umbanda que narram uma trajetória vivida por muitos, como a travessia do Atlântico, o trabalho, a liberdade e a transformação de algumas pessoas escravizadas na Entidade Pretos Velhos. A performance termina com o cântico de um Ponto que cita o cruzeiro das almas, e convida todas as pessoas a colocarem as velas ali. No final da performance, transmutamos nossa memória escravocrata e voltamos libertos das amarras enraizadas em nossos pensamentos, decolonizamos. Durante o percurso, a artista está vestida com o figurino de Preta e Preto Velhos. O figurino composto por ela, revela alguns símbolos essenciais relacionados a Entidade. Para sinalizar a mudança e presença de ambos, ela vai alternando lenço branco, usado pelas Pretas Velhas, e chápeu de palha, usado pelos Pretos Velhos, durante o percurso.

Os Pretos Velhos representam o amor e a liberdade. É a alma de um escravizado que ascendeu e se tornou um Espírito de Luz, uma Entidade Religiosa da Umbanda. O trabalho dessa Entidade junto ao Orixá Omulu / Obaluaê é a regência do Cruzeiro das Almas. É um portal de passagem entre o mundo material e o mundo espiritual. Ao citar o arquétipo dos Pretos Velhos nessa performance em forma de Procissão, mostra que é preciso haver mais amor entre as pessoas para mudar a visão que temos de nós, sem discriminação étnico-racial, pois com amor poderemos ter um poensamento livre e um mundo mais libertário.

Maria Conga, Série Gestos, 2019

Vídeo performande, duração 1 min, 2019

manipulação de sementes kapiá banhada em ervas e rosário de kapiá sob a luz de velas

A performance foi realizada por Luanda para evidenciar gestos identitários do guia afro-brasileiro Pretos Velhos. Gestos que, muitas vezes, nós não observamos com  a devida atenção. São gestos que enunciam o amor, o perdão, a cura, a beleza desse ancestral sagrado. Por isso, toda a performance é gravada num enquadramento próximo a ação. O vídeo mostra a manipulação de um dos objetos simbólicos que representam as Pretas e os Pretos Velhos. A herança simbólica das culturas de matriz africana no Brasil, tão importante na nossa formação cultural brasileira, remetem ao processo de sincretismo, que desde o princípio, trouxe um traço de opressão e resistência.

Maria Conga, Série Gestos, 2019
Video Performance, 1′ 13″
Coleção MACRS

MESA DE GRIOT, 2018 – até o momento

instalação permanente no Ateliê Terreiro, dimensões variáveis

“Acervo Aruanda (desde dezembro 2018) documentos arquivísticos da Mesa

Construí uma mesa de trabalho preparada com objetos de guias afro-brasileiros do Terreiro de Umbanda, nela tem guias, rosários, sementes, ervas, cruz, toalha branca, fotos, papéis em branco, lápis, tinta, giz pemba, incensos, defumadores, velas, diversos elementos que misturam dois ambientes: arte e terreiro. É uma mesa de trabalho de artista e também uma instalação. Contém seus documentos arquivísticos organizados pelo nome “Acervo Aruanda” (desde 2018), trazendo minha visão cosmovisional artística.  

Nomeei a mesa de “Mesa de Griot” porque conheço muitas histórias contadas por velhos ancestrais da época da escravização, histórias que vou transferindo por desenho e/ou aquarela, escrita de textos em forma de cartas, elaboração de instruções artísticas para trabalhos arte e livros e cadernos de artista. A “Mesa” é uma plataforma de trabalho para mim e ao mesmo tempo é uma obra, uma instalação permanente montada em meu ateliê. 

vídeo com o dia-a-dia da obra “Mesa de Griot” entre 2018 e 2020

Gira diárias – série mesa de griot (2019 – 2021)

fotografia, registro, à luz de vela das performances ocorridas na “Mesa de Griot”, dimensão 100 x 150 cm

“Série Mesa de Griot – tríptico”, 60 x 40cm, Coleção Quarantine (55SP) Acervo SESC SP

Fotografo os rastros  “da cena” ocorrida no tampo da “Mesa de Griot” e, conforme as práticas diárias vão acontecendo no ateliê, vou construindo a narrativa de minha série. Muitos acontecimentos de origem espiritualizada se misturam à produção artística, os desenhos, os textos, as velas acesas formam a composição que é fotografada por mim. Nas imagens fotográficas, a presença do tom avermelhado escuro das fotografias apresenta a relação do sagrado de terreiro e da arte contemporânea. Faço um enquadramento em close de fragmentos da “Mesa” junto ao calor da luz da vela e é dessa forma que é estabelecida uma conversa entre dois mundos distintos. Há uma mistura de passado-presente, com índices na arte produzida por mim, que remetem, ao mesmo tempo, à colonização e ao decolonial. A partir desse contexto é que realizei a série fotográfica “Gira Diárias” que tem 491 fotografias realizadas entre 2019 e 202.1

Gira desenhos de liberdade – série mesa de griot

desenho, retratos dos ancestrais Pretos Velhos à grafite, dimensão 20 x 30 cm

Os desenhos estão sendo realizados desde 2018 pela artista na “Mesa de Griot”. São retratos de muitas Pretas e Pretos Velhos ancestrais que contam algum dado da sua vida para a artista e, em seguida, ela os desenha.

O vídeo apresenta a coleção desses retratos em desenhos. Duração 4min35seg

vídeo com o grupo de retratos desenhado pela artista na sub-série “Gira Desenhos de Liberdade”

GIRA patuá – sÉrie terreiro, 2018

fotografia, patuás realizados com ervas, flores e guia sobre fundo branco, dimensão 70 x 100 cm

O trabalho foi realizado durante a iniciação da artista no Terreiro de Umbanda. Os Guias afro-brasileiros manipulavam ervas, flores e rosário, sobre as mãos da artista, durante a cerimônia sagrada, formando objetos orgânicos. A artista guardava e trazia para sua casa-ateliê para fotografar nomeandos-os de patuá.

ATLAs, SÉRIE MAR NEGRO, 2016

Foto-instalação, fotografias do mar, retratos de ex escravizados e luz de Led sobre mdf cru, dimensão 600 cm x 200 cm x 15 mm

Dentro da Série Mar Negro, reuni diversos trabalhos que relacionam mar e escravização. Entre os trabalhos dessa série, estão o Atlas Atlântico, o Atlas Encruzilhada e o Atlas Quilombo. Os atlas foram construídos como instalações fotográficos e escultóricas, mostrando o problema colonial por via das águas do mar, dos rios e da chuva, ou seja, todas essas manifestações da natureza também associadas às Yabas, tais como, Yemanja para o mar, Oxum para os rios e Nanã para a chuva. No primeiro atlas, eu falo do momento da travessia do mar, salientando o desencarne dos corpos, no segundo falo dos cruzamentos/ embates que tiveram na escravidão e no terceiro a possibilidade de liberdade na estratégia de fuga para as organizações quilombolas. Cada cena histórica dessas se passa em um lugar energético da natureza, por isso essas associações às orixás femininas.    

ATLAS ATLÂNTICO
foto – Instalação, 500 fotografias do mar (10 x15 cm), 600 lâmpadas de led, 13 fotografias de arquivo de negros escravizados do Acervo Fotográfico do Museu Hipólito José da Costa, Acervo Fotográfico e Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, Fototeca Sioma Breitman. Fotos adesivados sobre estrutura arquitetônica em MDF cru – 600 x 220 x 0,15 cm

A RODA É A ÁFRICA, série Mar Negro, 2016

Objeto musical, roda em madeira com mapas de África e países Brasil, Portugal, França e Inglaterra em MDF cru, motor, sensor de presença, player MP3 com som de  Ponto de Preto Velho “Minha cachimba tem mironga, Minha cachimba tem dendê“, dimensão 60cm x 60 cm x 15cm

A roda é acionada pela presença de uma pessoa e começa a girar e tocar o Ponto de Preto Velhos “Minha cachimba tem mironga, minha cachimba tem dendê”. A ideia principal do trabalho é mostrar o alastramento da cultura africana nos países que manteve relações coloniais, como Brasil, Portugal, França e Inglaterra. Os países e o continente Africano foram unidos, formando no centro novamente o “mapa de África” em forma de oceano. Exibido na exposição individual “Mar Negro”, Paço Municipal, Porto Alegre, na exposição coletiva “Processos Abertos”, Galeria Mamute, Porto Alegre e na exposição coletiva AR no Espaço Apis, Rio de Janeiro.

Fundo do Mar, Série Kalunga, 2018

Pintura, pigmento mineral e água sobre lona de algodão preparada com gesso acrílico, dimensão de cada tela 274 x 140 cm. A série é formada por 7 pinturas.

O mar apresentado nessas pinturas é o “Atlântico Negro”, onde morreram milhões de pessoas negras, por isso a série é intitulada de “Kalunga”. A palavra é de origem bantu, grande tronco linguístico étnico africano no qual derivam muitos povos. Muitas pessoas aprisionadas em países de África, que vieram para o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, eram bantus do Kongo e Angola. “Kalunga”, entre vários significados, diz que o mar é um grande cemitério, é a kalunga grande, porque kalunga é também o lugar de passagem, por onde as pessoas podem entrar em contato com a força de seus antepassados. Por isso, ela é a linha divisória do mundo dos vivos e do mundo dos mortos na cosmologia bantu.

Assim, a série Kalunga é a pintura das águas salgadas e dos ancestrais que desencarnaram no Atlântico. Pigmentos regados pela água do mar, corpos que se diluíam e se misturavam no fundo do mar pintado. Esse fundo do mar almejava apresentar uma ancestralidade de matriz africana. Não só os corpos desencarnados durante a escravização, mas o que estava além dessa sobrevida que eu tentava apresentar. Tentava ver o corpo que não estava mais no mar, sabendo que esteve um dia, por isso a tela do fundo do mar, com as diversas camadas de água, de pigmentos azuis, verdes, ocres, lilás e roxo vão se sobrepondo no quadro, pinturas que apresentam um rastro desse acontecimento afro-diaspórico, e como uma oferenda, vou depositando as cores e águas sobre a lona e misturando esses diversos ingredientes de intenção sagrada. 

Fundo do mar número 5, exposição “Pelo mar que nos leva mais longe”, Galeria Mamute, Florianópolis – SC, Brasil, 2022
unidas em uma parede, formando um grande mar afro-diaspórico
Fundo do Mar I – Série Kalunga

SÉRIE Espiritual, 2019

Pintura, pigmento mineral e água doce sobre lona de algodão cru, 150 x 200 cm

Espiritual I, Acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MAC RS, Porto Alegre/RS, Brasil Espiritual II, Coleção privada, São Paulo/SP, Brasil

A série Espiritual, com manchas de cores quentes, vermelhas, alaranjadas, com amarelo ouro e dourado, é um trabalho que tenta apresentar as energias da ancestralidade no contato com o corpo humano em transe, ou seja, tentando mostrar em cores, tudo o que a artista sentia ao incorporar. Ao mesmo tempo que essas pinturas ocorriam no ateliê, eu estava num aprendizado de comunidade de terreiro, aprendendo sobre o equilíbrio dos chakras, o desenvolvimento do transe e o convívio com diversas práticas ancestrais. Um momento interessante para a artista, como uma profusão de acontecimentos e novas vivências de sabedorias de terreiro que estão presentes nas pinturas.

 

Espiritual I – Série Espiritual

Espiritual II
Espiritual III

Gira Macumba- série terreiro, 2018

Fotografia, manuseios de ervas, sementes e flores sobre pano, dimensão 100 x 80 cm

O trabalho foi realizado numa Gira de Pretos Velhos, num Terreiro de Umbanda, no qual a artista enquanto filha de santo rodante, desloca a “macumba” para sua casa-ateliê, após a manipulação feita pelo Guia no Terreiro. As fotografias realizadas pela artista são closes dos detalhes dessa ação do Guia afro-brasileiro.

GIRA filha de aruanda – SÉRIE TERREIRO, 2018

fotografia, mão da artista e arruda, dimensão 28 x 40 cm

Nessa série, a artista utiliza a arruda trazida da Gira de Pretos Velhos do terreiro, onde ela trabalha como filha de santo rodante, para recordar manuseios da erva durante o transe, misturando o que foi vivenciado com o Guia com as impressões sentidas pela artista

Aruanda I

A vida É UMA ESPIRAL E Gira, 2020

Díptico, aquarela sobre papel algodão e áudio “Terreiro Atlântico”,

dimensão da aquarela 30 cm x 42 cm, duração do áudio 1min 30 segundos

O trabalho foi realizado pela artista com um conjunto de palavras-chaves do seu repertório de terreiro, contra-colonial e afro-diaspórico que se manifestam na forma de um oceano a girar a vida em espiral. Esse momento de reverberação de ideias ecoam no áudio como vozes que vem do Atlântico sul. O som funciona como uma leitura de desenho. Potencializa a visualização de uma imagem que vincula o calor do transe mediúnico na Gira de Terreiro ao mar em tempo de contar outras histórias de vidas racializadas.

A Vida é uma Espiral e Gira (2020)
áudio “Terreiro Atlântico”, duração 1min30

PULMÃO OU RESPIRAR COM ALEGORIA, 2020

Desenho e instalação, grafite sobre papel, dimensão de cada desenho 21 x 30 cm, dimensão da instalação variável

A série é formada por 13 desenhos e 2 poesias, totalizando 15 trabalhos para serem exibidos juntos numa instalação. Todo trabalho foi feito com grafite sobre papel canson branco com 200 de gramatura. Na montagem do trabalho, os desenhos são distribuídos na parede como um diário. A série faz um reflexão sobre a respiração e a cultura afro-brasileira, são trocas estabelecidas pela artista, que evidenciando o órgão humano principal do trato respiratório – o pulmão – faz, a partir da lógica do hábito constante do ciclo respiratório, na expansão da caixa torácica, inspiração e expiração do ar, se transforma num lugar de trocas de partículas para uma alegoria de trocas de afetos e tristezas. O trabalho foi realizado durante a pandemia do vírus covid19.

Pulmão nº 8: Séculos
Desenho – Instalação, 21 x 29 cm
Pulmão nº 6: Respiro do Corpo
Desenho – Instalação, 21 x 29 cm
Pulmão nº 8: Séculos
Desenho – Instalação, 21 x 29 cm
Pulmão nº 13: Afro-Pulmão
Desenho – Instalação, 21 x 29 cm

Liberdade: 4 Atos, 2019

Exposição individual, projeto Bay Window, Galeria Mamute, Porto Alegre, Brasil

A apresentação foi organizada pela artista da seguinte forma, 1o Ato, pinturas da série Espiritual, 2o Ato, instalação Natividade de Oxalá, 3o Ato, vídeo performance Maria Conga, 4o Ato, objetos Estandarte de Aruanda junto a realização da performance “Procissão de Pretos Velhos – da Mamute à Igreja do Rosário” do lado externo da Galeria. Cada obra é apresentada como um ato político que mostra a intenção da artista em valorizar a cultura afro-brasiliera proveniente dos Terreiros.

fotografias da artista Vilma Sonaglio

Liberdade: 4 Atos, 2019, pinturas, objetos, vídeo, instalação
Vista geral da exposição individual, Galeria Mamute, Porto Alegre, 2019
Na foto, da esquerda para a direita, pinturas Série Espiritual, instalação Natividade de Oxalá e objetos Estandarte de Aruanda
Espiritual II e III, pintura

Detalhe da instalação Natividade de Oxalá com machado de Xangô

CURA DE OXUM, 2017

Performance, a artista, vestida de branco, espalha e derrama sal bruto nas margens de um rio, duração 1 hora

Performance realizada no In Context Residency Programme, Slanic Moldova, Romênia.
Equipe: Idealização e performer: Luanda | Produção executiva: Alina Teodorescu | Fotografia: Ovidio Ungureanu | Video: Dan Ciobanu | Figurino: Loredana Ciangau | Transporte: Moraru Benone | Apoio: Association of Art In Context, Chromatique, Atelie Couture e Prefeitura Slanic Moldova

Foi derramada meia tonelada de sal bruto espalhado entre as duas margens do rio, de joelhos sobre esse monte de sal, a artista vai empurrando e enterrando o sal na água, lentamente, como quem massageia um corpo e o liberta do excesso de sal. Para a artista o sal representa a escravidão, desde que soube que os escravizados, depois dos castigos das chibatadas eram enrolados em esteiras cobertas de sal para curar os cortes e serem castigados novamente. Por isso a performance tem um figurino próprio. O vestido branco usado pela artista funciona como uma sinalização da cultura local que é de origem eslava. As origens da palavra escravo vem da palavra inglesa slave que por sua vez vem de eslavo, intercambiando essas origens da escravidão num trabalho que é filmado na Romênia, mas se referindo a uma cultura afro-brasileira. Em nome da Orixá Oxum, entidade religiosa que rege as águas doces, o ato sugerido pelo título da obra de uma “cura da escravidão” pelo derramamento do sal na água é feito pela artista também com a intenção de recalcar essa memória. Essas ideias e formas estão inscritas na imagem filmada, exibindo a natureza, o sagrado e a cultura.

Mar Negro, 2017

Exposição individual, Paço dos Açorianos, Centro Histórico de Porto Alegre/RS, Brasil

indicada ao Prêmio Açorianos 2018, Porto Alegre/RS

Idealizado por Luanda, a exposição ofereceu ao público a relação entre o mar e a escravidão, com a instalação “Yemanja encontra os Pretos Velhos”, duas vídeo-instalações, “Mares” e “Batistmo”, a foto instalação “Atlas Atlântico” e o objeto musical “A Roda é a África”. Para ampliação das reflexões propostas nas obras da mostra, Luanda convidou 4 artistas, Claudia Paim, Andressa Catergiani, Marion Velasco e Antônio Bueno para realizar eventos paralelos durante os dois meses de exposição. Na abertura, convidou Mãe Angélica para cantar um Ponto para Yemanjá, e, no encerramento, convidou o historiador Pedro Ferreira Vargas para fazer uma visita guiada em seu projeto Museu do Percurso do Negro. A mostra contou ainda com um bate-papo entre a artista e a curadora Niura Ribeiro.

Mar Negro, exposição instalação, individual, 2017 [vista parcial]
Paço Municipal de Porto Alegre, galerias do Porão do Paço
convidada Mãe Angélica canta Ponto para Yemanja
Detalhe Atlas Atlântico, Série Mar Negro, 2017
Detalhe Instalação Yemanja encontra os Pretos Velhos, 2017
rede de pesca, arte naval com corda de marinheiro, objetos sagrados de Pretos Velhos e Yemanja
300 x 300 x 5 cm
Altar de Pretos Velhos, 2017
instalação: um banquinho branco de Pretos Velhos usado em terreiro, vaso com rosa branca, pires e vela acesa, um
copo de água. Realizada na exposição individual Mar Negro, Paço Municipal, Porto Alegre. O altar foi mantido durante os 2 meses de exposição, sendo recolocada a vela e a água.
Mares, 2016
vídeo-instalação: vídeo e 2 banquinhos brancos de Pretos Velhos usado em terreiro.
Fundo do Mar 5, Série Calunga, 2018
Pintura, Pigmento e água sobre lona de algodão
300 x 150 cm
Detalhe Atlas Atlântico, Série Mar Negro, 2017
600 x 220 x 0,15 cm
Batismo, 2017
Nomes de filhos de escravizados do livro de batismo de Irajá-RJ (1704-1707), em que foram resgistrados como escravizados ao nascer. Livro do acervo Manuscritos da
Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

Durante os Conflitos Políticos, 2017

Performance, a artista realiza um ritual sobre a lona de algodão cru, com tinta acrílica, água do mar, sal bruto e velas. Duração 1 hora.

Exposição coletiva Políticas Incendiárias, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica – CMAHO, Rio de Janeiro, Brasil

Na performance, a artista sugere que um corpo mestiço morreu num conflito, pois vemos a artista deitada sobre a tela, sendo desenhada por uma pessoa voluntária. Esse corpo-alma, levanta para fazer seu próprio ritual. Vestida de branco, ao som de atabaques, rememora curas afro-brasileiras, ritualizando seu próprio corpo desenhado simbolicamente à beira mar. Um rastro azul surge quase ao final da performance, a cor é diluída pela água do mar. O calor e cor das velas acesas suscitam almas da ancestralidade e remete ao calor do espiritual. A fumaça da vela é o bálsamo defumador pelos séculos do séculos para todas as almas.

SoprO, 2016

vídeo performance, a artista manipula sal e areia, duração 10 minutos

Como um ritual para libertar escravizados, a performer abre espaço no solo, ao sabor do vento e das águas do mar, com a força do sopro de uma presença feminina. Todo o contexto da ação desperta memórias de um passado latente da história Atlântica.

Gira banda – série terreiro, 2018

objeto

patuá e ponto riscado sobre ponto bordado em pano de algodão, sementes de kapiá com ervas, rosa branca e búzios, dimensão 30 cm x 40 cm

Gira Banda, trabalho realizado em inspiração com Pai Cipriano

O Amor Nascerá, 2018

instalação sonora, dimensões variáveis para exposição coletiva “Manjar: Amar em Liberdade” do Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro, Brasil

instalação sonora, seis esteiras de taboa, bancos de Preto Velho; “Gira Banda” (patuá com ponto riscado sobre ponto bordado); áudio da Carta de Amor” do Preto Velhos Pai Cipriano psicografado pela artista, caixas de som, mp3 player

instalação “O Amor Nascerá” no Solar dos Abacaxis, dezembro 2018. (fotografia divulgação Solar dos Abacaxis)

detalhe “O Amor Nascerá”, 2018

Série Cordas e Mares, 2015 – 2016

fotografias, vídeos, instalações, projetos, giras formam a série, dimensões variáveis

Os trabalhos desta série trazem a relação “mar e escravização” a partir de navegações realizadas pela artista no mar da Baía de Guanabara durante o programa de Residência Artística no Despina, Rio de Janeiro.

Ação, fotografia, série Cordas e Mares

Atracação
Limite

Vocabulário afrodiaspórico – série cordas e mares

fotografia, palavras, oriundas da diáspora africana, escritas sobre o mar, dimensão de cada fotografia 30 x 40 cm

Limite – Série cordas e mares

Ambientes – SÉrie sinal vermelho, 2015

vídeo, combinação de diversas telas de fotografias, vídeos e pinturas para falar do excesso de poluição na Baía de Guanabara, duração 30 minutos

Ambientes é composto por diversas imagens da poluição do meio ambiente e a morte da natureza na Baía de Guanabara especificamente na Praia de Botafogo. Um falso panorama em preto e branco é construído pela artista, adicionando os pontos de vista das Praia de Botafogo e Praia do Flamengo que alude ao cartão postal amplamente utilizado pelo turismo carioca e brasileiro. O falso Panorama é uma imagem estática em preto e branco que está presente em todo video. Há outros momentos panorâmicos que dão a noção de espaço da paisagem. As demais imagens dialogam com ele, falando sobre meio-ambiente, sobre a morte, sobre o lixo e a Natureza-Morta da História da Arte. A trilha sonora auxilia na construção desse espaço degradado da natureza. Temos 500 fotografias, 7 vídeos e 11 pinturas que compõe todo o vídeo.

frames do vídeo Ambientes