Rosário Opressor & Resistente

Um ponto culminante em minha pesquisa artística, que virou um ponto de virada, foi a minha insistência em ir atrás de uma voz da pessoa escravizada. Aquela voz que foi silenciada perversamente durante o longo período de colonização. Eu encontrei essa voz que tanto buscava dentro dos terreiros de Umbanda. O problema é que dentro desses centros sagrados nós usamos o rosário, esse objeto eurocristão. É um colar com orações populares para o povo, uma forma de rezar, inclusive encontrada em outras religiões, onde o rezador vai passando a mão nas contas até fechar um ciclo de orações. E quem usa o rosário na Umbanda é justamente a entidade que representa a parte afro da cerimônia, junto com os Orixás, são os Pretos Velhos. Todos sabem que o cristianismo foi colaborador da colonização naquele momento, por isso eu sugiro que o rosário foi opressor e resiste até hoje nos cultos afro-brasileiros. Contraditoriamente, paira sobre ele uma ferramenta de aparente resistência, para que por trás dessa aparência cristã, pudessem rezar para Yemanja, Oxum, Yansã, Nanã, Oxalá, Xangô, Ogum, Oxóssi, Obaluaê/ Omulu … são muitos Orixás para citar… mas todos eram rezados nas matas, nas praias, e nos terreiros que nasciam nas senzalas.

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